Ciência e Tecnologia no CE: incubadora do Centec faz ciência virar negócio no Ceará

26 de outubro de 2015

Para a criação de uma empresa, muitas vezes, é necessária apenas aquela ajuda nos primeiros passos, na formação de um plano de negócios e no acompanhamento durante o período de amadurecimento do negócio. É nesse sentido que a Incubadora Tecnológica do Instituto Centec (Intece), auxilia micro e pequenos empreendimentos da Capital e do interior do Estado do Ceará. Dentre as várias novas ideias de negócios que chegam à Intece durante suas seleções, muitas se utilizam da ciência e da tecnologia para que sejam executadas. É o caso da Autoterm, da Bioclone e da Piscis, três empresas graduadas pelo Centec, ou seja, que já passaram pelo processo de incubação e hoje já enfrentam grandes desafios no mercado. Os empreendimentos nasceram a partir de conhecimentos científicos e são hoje histórias de sucesso a serem contadas pelos seus criadores.

Fundada em 2008, a Bioclone é uma empresa especializada em micropropagação de plantas (bioclonagem) para produção comercial em larga escala de mudas clonadas. Já foi 1ª colocada no Prêmio FINEP de Inovação, na Região Nordeste, em 2011. O diferencial da Bioclone está justamente em seu alinhamento com a tecnologia: utilizando o processo de bioclonagem, problemas de produtividade são reduzidos em relação às mudas convencionais, uma vez que pragas e doenças podem ser melhor controladas. Isso garante ao produtor rural uma rápida multiplicação em menor tempo e espaço, sem que haja perda de identidade genética do material propagado.

Segundo Roberto Caracas, um dos idealizadores da Bioclone, o casamento entre ciência e empreendedorismo é importante para fortalecer as duas vertentes. “O empreendedor também é, de certo modo, um cientista, porque está sempre buscando uma solução para problemas demandados pela sociedade”, argumenta. “E sem esse casamento, tanto o empreendedorismo quanto a ciência se tornam fragilizados”.

Já a Piscis é uma empresa de base biotecnológica que atua na reutilização de resíduos deixados pelo processamento da tilápia, peixe de grande relevância para a atividade pesqueira no Estado do Ceará. O empreendimento surgiu a partir de uma demanda ambiental identificada na região do açude Castanhão: as vísceras da tilápia, descartadas erroneamente pelos pescadores, causavam poluição no local. Após o recolhimento desses resíduos poluentes deixados pelo processamento da pesca, a Piscis os transforma em produtos como o óleo da tilápia, utilizado na complementação alimentar animal por ser rico em ômega 6. Além disso, a empresa também produz compostos orgânicos ricos em nutrientes essenciais para o desenvolvimento da agricultura, tudo a partir dos efluentes surgidos a partir do processamento do peixe.

Também passando pelo processo de incubação da Intece, a Autoterm encontrou na própria natureza a ideia para um novo produto tecnológico. A empresa é responsável pela criação de um painel solar seis vezes mais eficiente do que um painel fotovoltaico convencional. O segredo da eficiência do produto encontra-se na chamada heliotropia: trata-se do movimento realizado por flores, folhas e hastes, que seguem o caminho do sol durante o dia.

O painel heliotrópico desenvolvido pelo engenheiro Roberto Campos, idealizador da Autoterm, simula esse mesmo movimento natural realizado por plantas como o girassol, garantindo que a luz solar incida sobre as placas fotovoltaicas por um maior período de tempo durante o dia, consequentemente gerando uma maior quantidade de energia.

Para Roberto, o potencial de produção de energia solar no Brasil ainda é pouco explorado, visto que o Ceará possui uma das maiores incidências solares do mundo. “A menor média anual de irradiação solar no Brasil ainda consegue ser 30% maior do que a maior média de irradiação solar da Alemanha, um dos líderes do mercado europeu no segmento”, diz o engenheiro.

Centec promove debate sobre ciência e empreendedorismo

Como parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o Instituto Centec promove, entre os dias 27 e 29 de outubro, workshops, painéis e exposições que tratam de temas como: divulgação científica, educação ambiental, empreendedorismo na ciência, sustentabilidade, construção de drones e aplicações do arduíno, dentre outros.

Um dos painéis organizados pelo Centec tem como tema “Ciência e Empreendedorismo”, que contará com a presença de André Siqueira (Piscis), Roberto Caracas (Bioclone) e Roberto Campos (Autoterm). Os pesquisadores e empreendedores falarão sobre as experiências que tiveram no processo de amadurecimento de suas empresas e sobre como se utilizaram do conhecimento científico na composição de seus negócios.

O painel terá moderação de Sueli Vasconcelos, coordenadora da Incubadora Tecnológica do Centec (Intece), e acontece na próxima quinta-feira (29), às 9h, na Assembleia Legislativa do Ceará. A programação completa, que é gratuita, pode ser conferida no site do Instituto Centec: www.centec.org.br.

Fotos: Gabriel Andrade (autoterm) e Caroline Avendaño (biociclone)

26.10.2015

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