Ceará bate recorde de transplantes nos quatro primeiros meses do ano

17 de Maio de 2011

Nos quatro primeiros meses deste ano o número de transplantes de órgãos e tecidos realizados no Ceará foi 12,5% maior que o registrado no mesmo período de 2010. Entre janeiro e abril, a quantidade de transplantes passou de 337 no ano passado para 379 este ano.Em 2010, o Ceará ficou em sétimo lugar no País em número de potenciais doadores, pacientes com morte encefálica confirmada. Dos 325 doadores potenciais registrados no ano passado, 127 tornaram-se efetivos, representando 14,8 doadores efetivos por milhão da população (pmp/ano), o quarto melhor resultado do Brasil. Em 2009, o Ceará teve 11,2 doadores efetivos pmp/ano. São Paulo tem a maior proporção de doadores efetivos, com taxa de 21,2 pmp/ano em 2010. Em termos comparativos, no Brasil o número de doadores efetivos foi de 9,9 pmp/ano em 2010, enquanto a Espanha registra índice de 34 pmp/ano e, os EUA, de 25 pmp/ano.

No primeiro quadrimestre de 2011, o Ceará identificou 125 potenciais doadores, 20 a mais que em 2010, e 49 doações foram efetivadas, duas a mais que no ano anterior. Em relação ao mesmo período de 2010, o registro de potenciais doadores aumentou 19% e de doadores efetivos de apenas 4,25%. Estima-se entre 0,5% e 0,75% o percentual de morte encefálica do total de mortes de determinada população. Nos hospitais, o índice sobe para 2% a 4% e, nos hospitais com Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para 10% a 14%. Esse seria o percentual de potenciais doadores. Em média, de cada oito potenciais doadores, apenas um é notificado. Ainda assim, o Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes realizados por ano, mais de 90% pelo Sistema Único de Saúde.

O processo de doação começa com a identificação e manutenção dos potenciais doadores. Em seguida, os médicos comunicam à família a suspeita da morte encefálica, realizam os exames comprobatórios do diagnóstico, notificam o potencial doador à Central de Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), que repassa a notificação à Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). O profissional da CIHDOTT realiza avaliação das condições clínicas do potencial doador, da viabilidade dos órgãos a serem extraídos e faz entrevista para solicitar o consentimento familiar da doação dos órgãos e tecidos. Nos casos de recusa, o processo é encerrado.

No Ceará, em 2010, chegou a 19,6% o percentual de potenciais doadores descartados por causa da recusa da família em autorizar a doação. Uma vez identificado o potencial doador, segundo a Lei 9.434/97, “é obrigatório para todos os estabelecimentos de saúde notificar às Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) da Unidade Federada onde for feito o diagnóstico de morte encefálica, em pacientes por eles atendidos”. Esses estabelecimentos são denominados de notificantes, que é onde existe a possibilidade de ser encontrado um potencial doador. No Brasil, o número de doadores é insuficiente para atender a demanda crescente dos receptores que necessitam de um transplante. Isto ocorre devido ao número inexpressivo de notificações de pacientes em morte encefálica as CNCDOs, pela recusa familiar à doação ou pela falta de condições clínicas dos possíveis doadores.

 

Qualificação

Para melhorar a notificação de morte encefálica, a Central de Transplante realizou em fevereiro, pelo segundo ano consecutivo, curso com 40 médicos intensivistas para esclarecer sobre a abertura de protocolo de morte encefálica e manutenção de potenciais doadores. As 325 notificações de potenciais doadores em 2010 foram feitas por 21 hospitais cearenses. Os campeões de notificação são o Instituto Dr. José Frota (IJF), com 124 notificações e 59 efetivadas (47,6%). Em seguida aparecem a Santa Casa de Sobral, com 67 notificações e 18 efetivações (26,9%), e o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), com 65 notificações, 25 efetivadas (38,4%). Em todo o Estado existem 15 centros transplantadores de órgãos e tecidos.

Dos 379 transplantes realizados até abril no Ceará, este ano, 81 foram de rins, 235 de córnea, um de esclera, seis de coração, 47 de fígado, quatro de medula óssea e quatro de pâncreas. Na lista de espera há 370 pacientes esperando por córnea, 195 por rim, sete por coração, 141 por fígado, dois por pâncreas, dois por pulmão e 46 por medula óssea, totalizando 763 pacientes.

 

Captação de órgãos por Estado – 2010

Estados

Potencial doador

Doador efetivo

pmp/ano

No.

pmp/ano

São Paulo

2.621

63,8

872

21,2

Santa Catarina

295

47,9

109

17,7

Distrito Federal

199

77,4

42

16,3

Ceará

325

37,9

127

14,8

Espírito Santo

169

48,6

46

13,2

Brasil

6.979

36,4

1.898

9,9

Fonte: RBT ANUAL JAN/DEZ 2010 – ABTO

 

17.05.2011

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